Economistas influenciadores trocam o economiquês por conteúdo útil e mensurável
22 Outubro 2026Economistas e educadores financeiros ocupam um espaço crescente nas redes ao traduzir Selic, IPCA, preço dos combustíveis e organização do orçamento para a linguagem do cotidiano. Olívia Carneiro, Presley Vasconcellos e Thiago Godoy fazem parte de uma geração que combina formação técnica com formatos curtos, exemplos práticos e conversa direta com um público que nem sempre acompanha veículos econômicos tradicionais.
A mudança acompanha os hábitos de informação. Dados do Digital News Report mostram que 21% dos brasileiros usam o TikTok e 49% recorrem ao Instagram para acessar notícias. O Data Reportal estima mais de nove horas diárias de uso do celular no país. Nesse ambiente, explicar um indicador em poucos minutos pode alcançar pessoas que jamais abririam um relatório de banco central.
O interesse não se limita ao entretenimento. Uma pesquisa da Opinion Box aponta que sete em cada dez brasileiros seguem influenciadores, e finanças aparece como tema preferido para 37% dos entrevistados. A responsabilidade cresce na mesma proporção: uma simplificação útil precisa preservar contexto, separar educação de promessa de lucro e deixar claro quando uma decisão depende da situação individual.
Olívia Carneiro é economista formada pela USP, tem mestrado em Chicago e passou por formação com James Robinson, vencedor do Nobel de 2024. Seu trabalho aborda pobreza, democracia e conflitos sem abandonar questões presentes no orçamento familiar. Presley Vasconcellos e Thiago Godoy também usam situações comuns para aproximar conceitos que costumavam ficar restritos a especialistas.
Para 2027, a tendência apontada por profissionais do setor é de conteúdo menos performático e mais humano. Métricas como número bruto de seguidores e visualizações cedem espaço para retenção, salvamentos e compartilhamentos diretos. Um vídeo pode não viralizar e ainda assim ser valioso se o público voltar a ele, guardar a explicação ou enviá-la a alguém.
Essa mudança afeta a produção. Os primeiros três segundos continuam importantes, mas o gancho precisa entregar uma utilidade real. Edição nativa, colaboração com comunidades regionais, criação conjunta e referências culturais específicas ganham força. Marcas e criadores procuram relações mais longas, em vez de uma sequência de publicações isoladas guiadas apenas pela tendência do dia.
Na economia, a melhor medida de sucesso não é transformar todo seguidor em investidor, e sim melhorar perguntas. Quando alguém entende por que os juros afetam um financiamento ou como a inflação muda o poder de compra, fica menos vulnerável a soluções milagrosas. Os influenciadores que conseguem unir clareza, transparência e consistência ajudam a democratizar informação, mas continuam sujeitos ao mesmo teste de qualquer fonte: fatos verificáveis, contexto e responsabilidade pelo que recomendam.
