Do traço de O’Malley à estética Ghibli: a nova era das animações que você precisa conferir
24 Fevereiro 2026O universo de Scott Pilgrim, concebido originalmente por Bryan Lee O’Malley nas páginas de suas graphic novels, sempre foi um fenômeno cultural. Unindo humor ácido, romance juvenil e uma enxurrada de referências à cultura pop, a obra conquistou uma legião de fãs que agora ganha um novo motivo para comemorar com a chegada da versão em anime na Netflix. Mas, antes de dar o play, vale a pena entender o que torna essa adaptação tão especial e como ela se conecta a um movimento maior de animações visualmente deslumbrantes que estão dominando o streaming.
O que esperar do retorno de Scott e Ramona
A premissa você provavelmente já conhece: Scott Pilgrim, um jovem meio perdido entre as responsabilidades da vida adulta e sua banda de garagem, se apaixona pela misteriosa Ramona Flowers. O “pequeno” problema é que, para ficar com ela, ele precisa derrotar seus sete ex-namorados do mal. Entre lutas que parecem saídas de um videogame e dramas de relacionamento, o personagem passa por um amadurecimento genuíno, o que explica por que ele continua sendo o favorito de tanta gente.
No cinema, Michael Cera deu o rosto (e o jeito meio desajeitado) ao personagem de forma icônica. Já Ramona é o motor da história, carregando segredos que forçam Scott a literalmente lutar por esse amor. No topo da lista de vilões temos Gideon Graves, um empresário musical carismático e manipulador, o grande arquiteto do caos na vida de Ramona. O legal dessa nova adaptação é que ela promete dar espaço para que outros personagens secundários também brilhem, aprofundando a narrativa além do que vimos anteriormente.
Uma adaptação fiel, mas com identidade própria
Muita gente se pergunta: o anime é uma continuação do filme de 2010? A resposta curta é não. Enquanto o longa-metragem precisou condensar muita coisa para caber em duas horas, a série animada tem fôlego para explorar os detalhes das graphic novels com muito mais calma. Não é necessário ter lido os quadrinhos ou visto o filme para entender a história, embora o consumo prévio ajude a pescar as inúmeras referências a clássicos como Super Mario e Pac-Man.
A produção ficou nas mãos do renomado estúdio Science SARU, o mesmo de Devilman Crybaby. Conhecidos pela estética diferenciada e pelo uso vibrante de cores, eles garantiram que a música — elemento vital em Scott Pilgrim — recebesse o tratamento que merece. Para completar o pacote de nostalgia, o elenco original do filme, incluindo nomes como Chris Evans e Mary Elizabeth Winstead, voltou para dar voz aos personagens na versão em inglês.
Além de Scott Pilgrim: para onde ir agora?
Se você é do tipo que aprecia uma animação com “alma”, daquelas que lembram a sensibilidade do Studio Ghibli, o mercado atual está vivendo uma era de ouro. O legado de Hayao Miyazaki, com clássicos como A Viagem de Chihiro, abriu portas para que novos diretores explorassem temas profundos através de visuais de tirar o fôlego.
Um exemplo recente é A Silent Voice, de Naoko Yamada, que mergulha em temas pesados como redenção e perdão de uma forma extremamente sensível. Na mesma linha de “encher os olhos”, o próprio Science SARU tem obras imperdíveis como Ride Your Wave, uma jornada emocionante sobre luto e superação ambientada em uma cidade litorânea, e Lu Over the Wall, um filme premiado que traz uma abordagem lúdica sobre sereias e música.
O futuro visual das animações globais
A diversidade visual não para no Japão. O filme chinês Big Fish & Begonia é uma obra-prima mística que explora o sacrifício e a culpa, enquanto Lost in Starlight marca a estreia da Coreia do Sul no cenário global de animações de alto orçamento da Netflix. Ambientado em 2050, esse longa coreano mistura uma estética retrô-futurista com uma trilha sonora suave, focando no encontro entre uma astronauta e um técnico de áudio.
Seja através da agitação de Scott Pilgrim enfrentando ex-namorados em Toronto ou da delicadeza de filmes como The Colors Within — onde uma estudante percebe as emoções das pessoas como cores —, o fato é que a animação deixou de ser apenas “desenho para criança” há muito tempo. Hoje, o gênero é um terreno fértil para histórias humanas, complexas e, acima de tudo, visualmente inesquecíveis.
